Home Data de criação : 08/05/01 Última atualização : 09/01/04 00:08 / 66 Artigos publicados
 

Matérias produzidas em aula (IV)  escrito em segunda 17 novembro 2008 00:08

Formado em Música e Bacharel em Violino pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), o músico Luiz Henrique Fontão, de 33 anos, trilha um caminho de superações e, principalmente, de grandes conquistas. Nascido em uma família pobre, de nove irmãos, conviveu na infância com as dificuldades financeiras e a falta de políticas públicas que incentivassem sua aproximação com a música. Hoje, reconhecido e profissionalmente consolidado, o músico se dedica a impedir que jovens carentes enfrentem os mesmos obstáculos que defrontou quando era jovem e sonhava em iniciar-se na música.

Fontão desenvolve projetos sociais em Florianópolis e promove diversos eventos culturais, todos tendo a música como meio de integração. O músico coordena um trabalho com 15 alunos portadores de deficiência e outro projeto na Igreja Metodista do Bairro Jardim Atlântico, com crianças carentes.

Para 2009, o músico pretende montar uma orquestra com seus alunos, que inclua desde a música barroca à Música Popular Brasileira (MPB), e, no decorrer do projeto, tem o propósito de migrar para o gênero gospel. “Pretendo, também, oferecer cursos para  escolas públicas, sempre visando a  inclusão social dos alunos carentes no universo musical”, adianta.

Entre outros planos para o futuro, estão o de produzir um CD para divulgar o grupo e da criação de uma Organização Não-Governamental (ONG). Fontão ainda pretende criar o projeto “Vencendo Limites - Música para Todos”. Orçada em 25 mil reais, a iniciativa seria a primeira em que os alunos ganhariam cachê. “Eles precisam se sentir úteis e, também, necessitam muito de  uma fonte de renda. São pessoas carentes de muitas coisas, mas são felizes e, quando tocam ou cantam, passam essa  felicidade para quem os assistem”, pontua.

 Entre os principais desafios de seus projetos, Fontão destaca a ocasião em que teve de inventar maneiras de ensinar a música a alunos cegos, que hoje fazem parte de um coral. Outra barreira que o músico ainda enfrenta é o de instruir os portadores de deficiência. “O aprendizado deles é lento e deve ser feito com muito cuidado”, afirma.

Os projetos sociais pararam em agosto deste ano por falta de verba e, também, devido às eleições, quando Fontão candidatou-se a vereador pela Capital, porém sem ter sido eleito. Embora o grande interesse de em seguir com as iniciativas, Fontão salienta as objeções que encontra em conseguir recursos para que possa viabilizá-las. “Muitas  vezes,  tiro dinheiro do meu próprio bolso para  ajudar os alunos. Além disso, existe a falta de interesse do Estado em apoiar os projetos”, revela.

Apesar das dificuldades, o músico não perde o entusiasmo de continuar realizando os projetos. “A música acolhe, a arte não obriga a nada. É uma atividade para quem quer mais da vida”, conclui.

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