Temas como os limites entre paixão e insanidade e o papel da mídia
no acompanhamento de crimes passionais foram abordados em
entrevista concedida pela psicóloga da Polícia Civil de
Florianópolis, Maíra Marchi Gomes, de 29 anos. Ela falou aos alunos
da 2ª fase de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá, em São José,
na Grande Florianópolis, na manhã do último dia
18.
Com referência a casos recentes motivados pela paixão, Maíra
defendeu o diálogo entre Polícia e seqüestrador nas situações de
seqüestro e comentou sobre a ação da mídia na abordagem dos casos
Eloá, em Santo André (SP), e do Shopping Iguatemi, na Capital.
“Não considero que a imprensa atrapalha nestas
ocasiões”, afirmou a psicóloga. “Com ela, os fatos
ganham mais visibilidade e, assim, dependendo do caso, pode
facilitar o trabalho”, complementou, reforçando a necessidade
da Polícia em atentar para a particularidade de cada situação para
que sejam feitos os procedimentos
corretos.
Para a psicóloga, é preciso que se investigue minuciosamente cada
caso para que se chegue a uma conclusão justa. Pesquisar a história
de vida, os traumas e as carências da auto-estima dos criminosos
são apontados como pontos essenciais para que se faça uma
investigação correta. “O crime passional beira a insanidade,
tendo em vista que projetamos no outro algo que gostaríamos de ser.
Todos estamos sujeitos a mudanças de personalidade, pois é difícil
aprendermos a conviver com nossas perdas e limites”,
pontuou.
Maíra explanou, também, aspectos da psicologia que podem ajudar a
solucionar os crimes passionais. Segundo ela, um dos principais
sinais que se deve observar, nestas ocorrências, é o de que se o
assassino agiu por impulso. “Embora alguns juristas
considerem este elemento como um agravante dos fatores que
motivaram o assassinato, para outros a impulsividade é tida como o
único indício de crime passional, e isto pode reduzir a pena para o
criminoso”, explicou a psicóloga.
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